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Valorização de resíduos considerados rejeitos: como transformar esse cenário no Brasil?

Por muito tempo, indústrias de diversos setores, como alimentos, embalagens e bens de consumo, seguiram um modelo simples: produzir, usar e descartar. Nesse modelo, os resíduos eram vistos como algo sem valor, destinados a aterros ou lixões.

Hoje, sabemos que o modelo linear não se sustenta, e é nesse cenário que a economia circular ganha força. Em vez de encerrar o ciclo no descarte, ela propõe algo diferente: manter os materiais em circulação pelo maior tempo possível, seja por reutilização, recuperação ou reciclagem.

Junto com o esgotamento do modelo linear, cresce também a pressão, já que reguladores, consumidores e o próprio mercado exigem que as empresas revejam o papel dos resíduos dentro de suas operações. Mais do que uma pauta ambiental, isso se tornou uma questão estratégica.

E a valorização de resíduos entra exatamente aqui, como uma forma de gerar eficiência, reduzir custos e criar valor a partir de materiais que antes eram simplesmente descartados.

Quase 70 milhões de toneladas de resíduos ainda vão para aterros

Em um único ano, cerca de 69,7 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos foram enviados para aterros ou áreas inadequadas, o equivalente a 85,5% de tudo o que foi gerado, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025 publicado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABREMA)

Desse volume:

  • 59,7% foram para aterros sanitários
  • 40,3% ainda tiveram como destino lixões ou locais inadequados

Ou seja, a maior parte dos materiais ainda não retornam à cadeia produtiva e acabam sendo considerados rejeitos.

Esse cenário ajuda a explicar por que a regulação vem se tornando mais rígida, e cada vez mais central na forma como as empresas lidam com seus resíduos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece diretrizes importantes, como:

  • Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
  • Incentivo à reciclagem e à logística reversa;
  • Redução da destinação para aterros.

Isso significa que empresas, independentemente do setor, precisam se adaptar.

Diferença entre rejeitos e resíduos

Antes de falar em valorização, vale entender a diferença entre resíduo e rejeito. Nem tudo que é descartado é igual, e essa diferença está justamente na possibilidade de recuperação de um material.

Resíduo é tudo aquilo que ainda pode ser reaproveitado, seja por reciclagem, reutilização ou outro tipo de tratamento.

Já o rejeito é o oposto, mesmo que pareça reciclável, não tem viabilidade técnica ou econômica para voltar ao ciclo produtivo com as tecnologias disponíveis hoje. Por isso, acaba sendo destinado a aterros.

O que é valorização de resíduos 

A valorização de resíduos é o processo de transformar materiais descartados em novos recursos. Isso inclui plásticos, metais e resíduos orgânicos ou industriais que, em vez de serem tratados como lixo, voltam para a cadeia produtiva com valor econômico e ambiental.

Esse retorno pode acontecer de diferentes formas:

  • Reutilização dentro da própria operação;
  • Reciclagem mecânica ou química;
  • Compostagem de resíduos orgânicos;
  • Geração de energia, como biogás ou combustível derivado de resíduos.

Mas, apesar do potencial, o processo ainda enfrenta desafios como a complexidade dos materiais (como embalagens multicamadas ou metalizadas), contaminação dos resíduos, dificuldade de separação, custos operacionais e infraestrutura limitada ou baixo engajamento ao longo da cadeia.

Apenas 21% dos plásticos são reciclados no Brasil

Quando falamos de plástico pós-consumo, o cenário fica ainda mais evidente. Os índices de reciclagem variam bastante entre os tipos de resina:

  • PET: 46,2%
  • PEAD: 29,2%
  • PP: 17,2%
  • PEBD/PEBDL: 9,6%
  • PVC: 9,9%
  • PS: 8,4%

Na média, apenas cerca de 21% dos plásticos são reciclados.

Além disso, nas cooperativas e centrais de triagem, o índice de rejeitos pode variar entre 18% e 63%, o que mostra o quanto ainda se perde no processo.

Outro ponto crítico é a falta de identificação clara dos materiais, o que dificulta a triagem e compromete a rastreabilidade.

Por que a valorização de resíduos é estratégica para empresas?

A valorização de resíduos pode ser uma forma de gerar eficiência, reduzir custos e criar valor a partir de materiais que antes eram simplesmente descartados, trazendo diversos benefícios para as empresas.

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Comunicação Yattó
Gabrielle Maia
Assessoria de Imprensa
Ecomunica