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Rejeito na reciclagem: por que 66% do que sobra nas cooperativas é embalagem flexível

Existe uma pergunta que a maioria das multinacionais ainda não consegue responder: o que acontece com a parte do resíduo que a cooperativa recebe, mas não consegue vender?

A resposta tem nome: rejeito, o material que vai para o aterro sanitário porque não tem comprador, tecnologia de reciclagem disponível ou escala para virar negócio. Segundo o mapeamento mais recente da área de Sourcing da Yattó, esse volume é maior — e mais concentrado em poucos materiais — do que o mercado costuma admitir.

O que o diagnóstico de rejeito nas cooperativas mostrou

Entre 2025 e a primeira quinzena de junho de 2026, a Yattó avaliou 42 organizações de reciclagem em cinco regiões do Brasil, reunindo 1.165 cooperados e cerca de 3.830 toneladas de material comercializado por mês — uma média de 90 toneladas mensais por organização. A avaliação combinou fichas de visita aplicadas em campo com leitura de imagens de rejeito por inteligência artificial, cruzando dois métodos de coleta para transformar uma percepção difusa em dados.

Embalagens plásticas flexíveis foram citadas como rejeito em 66% das visitas, seguidas por bandejas de PET (49%) e isopor (41%). O diagnóstico visual confirma o padrão: resíduos orgânicos contaminados representam entre 30% e 50% do volume observado nas imagens, seguidos por embalagens flexíveis e multicamadas (20% a 35%), bandejas de PET (10% a 15%) e isopor (3% a 10%). PET colorido, copos de poliestireno, blísteres de remédio e acrílico aparecem com participação menor, entre 1% e 5% cada.

A taxa de rejeito também varia por região: Centro-Oeste lidera com 35%, seguido por Norte (30%) e Nordeste (28%); Sul (23%) e Sudeste (21%) têm os menores índices. Em algumas regiões do país, mais de um terço de tudo que chega a uma cooperativa não tem destino.

Por que o pilar de Rejeito do Decreto 12.688 virou urgência

Desde outubro de 2025, o Decreto Federal 12.688 obriga fabricantes e importadores de embalagens plásticas a incorporar conteúdo reciclado pós-consumo — 22% já a partir de 2026, chegando a 40% em 2040 — e determina a priorização de organizações de catadores nas operações de triagem. O decreto se apoia em três pilares: Reciclabilidade, Conteúdo Reciclado e Rejeito.

Os dois primeiros já contam com metodologia e metas relativamente claras. O terceiro é o ponto cego do setor: rejeito, e é justamente aí que a cadeia de reciclagem brasileira perde dinheiro e informação. Segundo a Abrelpe, o país recicla entre 4,5% e 8,7% dos resíduos sólidos que produz e perde R$ 14 bilhões por ano por não reaproveitar materiais recicláveis.

Impacto social por trás dos números

O mapeamento também consolidou indicadores sociais e de governança das 42 organizações avaliadas. A renda média informada pelos cooperados é de R$ 1.706 por mês. Entre o total de cooperados, 59,7% são mulheres, 44,2% se declaram pessoas negras, 39 são pessoas com deficiência e 102 se identificam como LGBTQIAPN+. Na frente de governança, 62,8% das organizações realizam atividades de educação ambiental, 39,5% têm fundo de reserva constituído e 32,6% possuem fontes adicionais de receita além da venda de materiais recicláveis.

Esses indicadores importam porque conectam duas pontas que costumam ficar separadas na discussão sobre rejeito: cada tonelada sem destino também representa renda que deixa de chegar às cooperativas — o elo da cadeia que, pelo próprio decreto, deveria ser priorizado.

Da lacuna de mercado à solução: os cases Nestlé, Mars e Danone

Diagnosticar o problema é a primeira parte do trabalho. A segunda é construir rotas de reciclagem para materiais que hoje não têm mercado.

Com a Nestlé, o desafio era escalar a reciclagem de embalagens flexíveis pós-consumo num cenário em que o BOPP pós-consumo não tinha mercado estruturado no Brasil. O capítulo Flexíveis do movimento Yattó Transforma já soma mais de 1.600 toneladas coletadas, R$ 1,6 milhão em renda adicional para cooperativas parceiras e reúne 14 empresas participantes.

Com a Mars, o desafio combinava metas globais de reciclabilidade com a necessidade de gerar engajamento de consumidor a partir de embalagens flexíveis de chocolate e ração animal. A solução conectou cooperativas, recicladores e prefeituras e resultou no primeiro parque pet do Brasil construído com embalagens flexíveis pós-consumo — 18 mil embalagens que deixaram de ir para o aterro, num projeto reconhecido com o Prêmio AMCHAM Eco em 2024.

Com a Danone, o problema era ainda mais estrutural: poliestireno (PS) pós-consumo não tinha cadeia de reciclagem no Brasil, e as embalagens iam direto para o aterro. A Yattó estruturou essa cadeia do zero, resultando em mais de 150 toneladas recicladas e na produção de itens como displays, canetas, crachás, chaveiros, chapas para comunicação visual e wobblers.

O que isso significa para quem tem metas de circularidade

Os três cases têm um ponto em comum: em nenhum deles o mercado já tinha resposta pronta. A rota de reciclagem, a rastreabilidade e a certificação precisaram ser construídas e documentadas de ponta a ponta, com dado que sustenta auditoria e relatório.

É essa a lacuna que o mapeamento de rejeito também expõe: enquanto o mercado brasileiro ainda discute metodologia para os pilares de Reciclabilidade e Conteúdo Reciclado, o pilar de Rejeito segue sem resposta estruturada, mesmo representando, segundo os dados levantados, entre 21% e 35% de tudo que chega às cooperativas do país.

Há 11 anos a Yattó decidiu resolver exatamente essa lacuna, com dado que vem da própria operação e cases que provam que existe solução até para o material que o resto do mercado já tinha desistido de reciclar.

Quer saber quais materiais do portfólio da sua empresa se enquadram como rejeito hoje? [Solicite um diagnóstico gratuito.]

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Comunicação Yattó
Gabrielle Maia
Assessoria de Imprensa
Ecomunica