Quando falamos em sustentabilidade e economia circular, um tema ganha cada vez mais atenção: o Índice de Reciclabilidade. Ele não mede apenas se uma embalagem pode ser reciclada, mas influência diretamente a logística reversa, a reputação da marca e o cumprimento da legislação ambiental no Brasil.
Se você é diretor, gerente ou coordenador de uma empresa que coloca embalagens no mercado, entender esse índice é essencial para reduzir rejeitos, ganhar eficiência operacional e atender às exigências legais.
O que é o Índice de Reciclabilidade
O Índice de Reciclabilidade avalia a chance real de uma embalagem ser reciclada, considerando fatores como:
- Design do material;
- Tecnologia disponível para reciclagem;
- Viabilidade econômica do processo;
- Infraestrutura de coleta e triagem.
De forma simples:
- Reciclável é aquilo que poderia ser reciclado.
- Reciclabilidade é a chance real de isso acontecer.
O governo federal vem estruturando o Índice de Reciclabilidade de Embalagens de Plástico, conectado à logística reversa e ao cumprimento das metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e do Decreto do Plástico (Decreto nº 12.688).
Cenário da reciclagem no Brasil
Nosso país é o quarto maior produtor de resíduos plásticos do mundo. Todos os anos, são geradas entre 80 e 82 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, o que equivale a aproximadamente 1 kg de resíduos por habitante por dia.
Apesar desse volume, reciclamos cerca de 4% de todo o material gerado, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE).
Esse número está muito abaixo das metas estabelecidas pelo Decreto nº 11.043/2022, que prevê, entre outros objetivos:
- Recuperar ou reciclar 48,1% dos resíduos sólidos urbanos até 2040;
- Atingir cerca de 20% de reciclagem da fração seca dos resíduos urbanos até 2040.
Além disso, o Brasil também fica atrás da média mundial. Países da mesma faixa de renda e grau de desenvolvimento econômico apresentam média de 16% de reciclagem.
Para se ter ideia: em apenas um ano, o lixo não reciclado no país seria suficiente para encher mais de 74 mil estádios do Maracanã até o topo.
E por que tanto material vira rejeito?
Nas cooperativas e centrais de triagem, o índice de rejeitos, materiais que não conseguem ser reciclados, varia entre 18% e 63%.
Os principais motivos são:
- Embalagens metalizadas e multicamadas;
- Materiais contaminados ou de difícil separação;
- Baixo investimento e infraestrutura.
Quando olhamos para os plásticos pós-consumo, os dados mostram que a reciclagem ainda é bastante desigual entre os tipos de resina.
Segundo os estudos da PICPlast/MaxiQuim, os índices de 2024 são:
|
Tipo de plástico |
Reciclagem mecânica (%) |
|
PET |
46,2 |
|
PEAD |
29,2 |
|
PP |
17,2 |
|
PEBD/PEBDL |
9,6 |
|
PVC |
9,9 |
|
PS |
8,4 |
|
EPS |
25,3 |
|
Todos os plásticos (média geral) |
21,0 |
Ou seja, mesmo quando o material é coletado, nem sempre ele consegue voltar para o ciclo produtivo.
Para onde vai o que não é reciclado?
Em um único ano cerca de 69,7 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos foram encaminhadas para disposição final, o que representa 85,5% de tudo o que foi gerado.
Segundo dados da Associação brasileira de resíduos e meio ambiente (ABREMA), aproximadamente:
- 59,7% desse volume foi destinado a aterros sanitários;
- 40,3% ainda foi parar em lixões ou áreas inadequadas.
Além dos impactos ambientais e na saúde pública, essa baixa taxa de reciclagem gera um prejuízo econômico, o país perde cerca de R$ 14 bilhões por ano que poderiam ser recuperados com a reciclagem.
O que determina a reciclabilidade de uma embalagem?
Hoje, para que uma embalagem seja realmente reciclável, ela precisa atender a alguns critérios fundamentais:
- Design para Reciclagem: evitar múltiplos materiais colados, cores fortes ou rotulagens que contaminem o polímero.
- Identificação clara: códigos de reciclagem (triângulo de 1 a 7) que facilitem a triagem.
- Infraestrutura de coleta e triagem: centros capazes de separar materiais complexos.
- Viabilidade econômica: existência de mercado comprador para o material reciclado.
- Pureza do material: embalagens contaminadas com restos de alimentos ou gordura dificultam ou inviabilizam a reciclagem.
Tenho um selo de reciclagem. Já cumpro o índice de reciclabilidade?
Muitas marcas utilizam selos de reciclagem, mas nem todos eles indicam que a embalagem atende a um índice técnico de reciclabilidade. Em vários casos, o selo representa compensação ambiental, ou seja, a empresa financia a reciclagem de uma quantidade equivalente de plástico, mas não da própria embalagem.
Exemplo: Uma empresa coloca embalagens de PS no mercado, mas compensa reciclando PET. No fim do dia, a embalagem original continua indo para aterros ou lixões, contribuindo para o índice de rejeito do país.
O selo não garante:
- Que a embalagem foi projetada para ser reciclável;
- Que ela cumpre um índice técnico de reciclabilidade;
- Que será reciclada após o descarte pelo consumidor.
Reciclável é diferente de reciclado
Uma embalagem reciclável é aquela que possui potencial técnico para ser reciclada. Ou seja, pode ser transformada novamente em matéria-prima, desde que existam coleta, triagem, tecnologia adequada e viabilidade econômica.
Já uma embalagem reciclada é aquela que efetivamente passou por todo o processo, do descarte ao processamento, sendo reinserida no ciclo produtivo como nova matéria-prima.
Na prática, muitas embalagens são recicláveis apenas no papel, mas não são recicladas na realidade, seja por falta de infraestrutura, ausência de viabilidade econômica ou alto índice de rejeito.
Por isso, mais importante do que afirmar que uma embalagem é reciclável, é garantir que ela tenha condições reais de ser reciclada dentro do sistema brasileiro.
As empresas não são obrigadas a possuir um selo comercial específico de alta reciclabilidade. No entanto, são legalmente obrigadas a comprovar a implementação da logística reversa de suas embalagens, conforme a PNRS e o Decreto do Plástico.
Então fica a pergunta: a embalagem que sua empresa coloca hoje no mercado é apenas reciclável ou é, de fato, reciclada?
Como saber o índice da sua embalagem?
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Atender às exigências da PNRS e do Decreto do Plástico